Diariamente várias questões povoam os pensamentos de responsáveis pela área de Tecnologia da Informação de empresas e, certamente, algumas dessas dúvidas incomodam mais do que outras. Dentre as que mais contribuem para as “dores de cabeça gerenciais”, podemos destacar duas:
- De que forma a área de TI pode ser vista como suporte imprescindível para a geração de novas receitas para a empresa?
- Existe alguma linha tecnológica que possa ser colocada em prática para facilitar o alinhamento entre modelos de gestão de negócios e de tecnologia?
Centro de receitas
Nessa reflexão, podemos perceber que tradicionalmente a área de TI das empresas é vista como centro de custos, onde uma quantidade não desprezível de recursos flui continuamente. E isto acontece principalmente quando geração de novas receitas, corte direto de custos ou aumento de produtividade não são diretamente relacionados aos investimentos já feitos em TI.
Organizações mais tradicionais ainda relutam em inserir em suas discussões sobre posicionamento estratégico as oportunidades e os limites gerados por sua estrutura de TI. Assim, torna-se quase impossível perceber oportunidades de negócio geradas com suporte direto da área de Tecnologia da Informação, ou mesmo antecipar problemas em novos negócios que podem ser criados pelas limitações tecnológicas da estrutura existente. Temos aí um desafio: como tornar estratégico algo que é visto como periférico?
Mudança de paradigma
Estruturas empresariais mais modernas (podemos citar os setores de telecomunicação e bancos como exemplos) já concluíram que não se pode separar seus produtos (ou serviços) da tecnologia. Basta olharmos com atenção para todos os produtos lançados por estes segmentos para comprovarmos esta afirmação: não existe mais produto bancário ou da área de telecomunicações sem o suporte direto da área de Tecnologia da Informação.
Além disso, ao analisarmos a estrutura de poder dentro destes setores no País, veremos que a posição ocupada pelas altas decisões de investimentos em TI é estratégica e diretamente relacionada a tomadas de decisão em diversas linhas de negócio.
E por que outros grandes segmentos do mercado ainda não agem da mesma forma? Talvez porque a dinâmica de negócios em alguns setores seja evidentemente mais lenta do que em outros, talvez porque o próprio posicionamento da área de TI nestes setores mais conservadores, ainda não encontrou uma forma para ocupar o espaço que lhe é devido.
Sejam quais forem os motivos deste desalinhamento estratégico, a área de TI pode e deve tomar algumas medidas para fortalecer sua posição de comprometimento com os objetivos do negócio. Confira na próxima página que medidas são essas.
Primeiramente, podemos citar a necessidade da área de TI analisar, de forma contínua e estratégica, a contribuição que os produtos gerados por sua equipe (sistemas de informação) tem em relação aos objetivos do negócio. Esta análise deve ser feita em relação ao orçamento total da área de TI. Devem ser quantificados e analisados os percentuais investidos em três blocos funcionais distintos:
- Processos que não agregam valor ao negócio, por serem obrigatórios em todas as empresas de um mesmo segmento (como contas a pagar, contabilidade, etc);
- Processos que aumentam a produtividade da empresa (normalmente sistemas ligados à linha de produção ou atendimento ao cliente);
- Processos que efetivamente contribuem para a geração de novos negócios para a empresa.
"Negocês" x "tecniquês"
Outra medida que pode contribuir fortemente para este reposicionamento é a adoção de linhas tecnológicas que simplifiquem a tradução do modelo de negócios em ferramentas de TI, já que o dialeto “negocês” (retorno de investimento, margem bruta, canais de distribuição, etc.) terá que ser implementado com o dialeto “tecniquês” (Java, Web Server, Banco de Dados, etc).
Além disso, sempre é bom lembrarmos que existe no mercado um leque de soluções tecnológicas que, inicialmente, fazem a alegria do pessoal de TI, pois incorporam todas as promessas de ser “a ferramenta para acabar com todas as outras ferramentas”. No entanto, no momento de entrar em ação, de atender à área de negócios com agilidade e cursos baixos, essas “ferramentas mágicas” mostram dificuldades de operação por profissionais que não sejam extremamente qualificados.
Caso esta tradução de modelos seja complexa, a área de TI se encontrará várias vezes na situação em que uma pequena mudança no modelo de negócios da empresa acarretará uma grande mudança no modelo tecnológico. Este tipo de situação é visto pela área de negócios como um investimento sem retorno, já que pequenas mudanças no negócio devem ser executadas em prazo curto e com orçamento pequeno.
Foco no negócio
A terceirização das atividades de TI que não possuam valor agregado aos objetivos de negócio da empresa é o outro ponto-chave nesta questão. Será que uma empresa, pelo simples fato de utilizar uma salada tecnológica necessária para a implementação de seu modelo de negócios, precisa ter dentro de casa todos os profissionais especializados em cada uma dessas tecnologias? Provavelmente alguma outra empresa focada no ramo de TI terá condições de executar estas atividades com uma relação custo/benefício bastante atraente.
Em resumo, pode-se dizer, mais do que nunca, que o mundo dos negócios precisa entender o papel que TI pode desempenhar; que a Tecnologia da Informação precisa entender os objetivos do Negócio, estratégias e planos; e que os dois lados precisam trabalhar juntos o tempo todo, desde o começo do ciclo de planejamento dos negócios, até a implementação final da solução de TI.
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